
Caravelas, Bahia
Janeiro de 2007
Cheguei a Caravelas, no sul da Bahia, guiado pelas imagens perfeitas que vi nas redes sociais — um mar cristalino, de azul intenso, como uma promessa de paraíso. Mas ao chegar, encontrei outra Bahia: o mar escuro, a praia cheia, o som das vozes, o cheiro de camarão, a vida em seu estado mais real.
Por um momento, estranhei o que via. Depois, percebi que era ali, justamente no contraste entre o sonho e o cotidiano, que se escondia a verdadeira beleza.
Decidi então ser corajoso: fotografar a Bahia (terra conhecida por suas cores vibrantes) em preto e branco. E nesse gesto, encontrei o sentido do olhar. Ao retirar a cor, revelei o que ela por vezes disfarça: o brilho dos olhos, a textura das mãos, o riso que atravessa a praia sem distinção de classe, de origem ou de destino.
Entre trios elétricos, quiosques de camarão e ondas que se misturam à música, descobri uma alegria que não se mede em tons. Uma celebração que acolhe todos, moradores e viajantes, como se o verão fosse um mesmo coração pulsando.
As fotos deste ensaio nasceram desse instante de descoberta.
Aprendi que o preto e branco não apaga a cor: ele revela a alma.
E que, às vezes, é preciso despir a imagem do que é esperado para enxergar o que é essencial: a beleza que vive entre marés, entre contrastes, entre pessoas.
























